Só na 6ªf à tarde tivemos confirmação que tínhamos estadia! Estava tudo cheio devido ao fim-de-semana comprido pois em Angola foi feriado na 2ªf.
Então 6ªf à tarde foi organizar tudo, Sábado ainda fui à obra de manhã e de seguida tudo no carro lá fomos nós!
Tínhamos tudo, biberões, mochila com bonecada, pc para ver dvds, musica infantil a granel, caramelos de chocolate, bolachas e biscoitos da Quina…até sandes e ovos cozidos…enfim, aqui em Angola não há postos de serviço à beira da estrada, nem supermercados de conveniência….
A partir de certa altura da viagem deu para ver duas coisas muito importantes: a mudança da paisagem que se tornou de um verde fabuloso, muito diferente da província seca e quente de Benguela, e as marcas da guerra. A província do Huambo foi a que mais sofreu com a guerra, era a terra do Savimbi e era lá o bunker de resistência dele, inclusive na viagem deu para ver um placard antigo da cruz vermelha a avisar os viajantes para terem cuidado com as minas…ui ui… Claro que as estradas já foram todas refeitas, e as minas felizmente já quase q desapareceram. Também deu para ver de vez em quando um tanque abandonado no caminho.
Na ida passamos numa terra chamada “Alto Catumbela” ( que nada tem a haver com a Catumbela junto ao Lobito), é uma terra deslumbrante em que do alto da entrada temos um grande vale, e no centro desse vale um maciço de granito com uma igreja branquinha moderna em cima plantada. Imaginem tudo verde e essa igreja lá no centro. É lindíssimo!
Esta terra Alto Catumbela teve em tempos a maior floresta de eucaliptos do mundo, da qual pouco resta mas que ao redor da paisagem dá para adivinhar pelo perfil ainda existente. Tinha uma grande fábrica de celulose de onde saía papel em rolo, com uma barragem só para alimentação de energia. É incrível ver as marcas do tempo, as casas operárias e toda uma cidade meio fantasma ali num vale deixada, as pessoas locais ocupam as casas e outras vê-se ainda abandonadas sem telhado como de fantasmas se tratasse.
Ao chegarmos à fábrica de repente o Nando lembrou-se! “Já aqui estive “ Apercebeu-se que tinha feito uma viagem de estudo com o grupo da JEC ( Juventude Estudante Católica) e até se lembrou que um amigo dele desmaiou com o cheiro intenso da fábrica, e que ele próprio quase foi pelo mesmo caminho. A fábrica está abandonada e num estado sem recuperação.
Só tivemos cerca de 20kms para lá de estrada em terra, mas já terraplanada. Enquanto se bem se lembram para ir aqui ao lado à chamada “Praia da macaca” demoramos 2horas para 5kms…
A estrada de regresso como foi a outra por cima essa está em recuperação clara mas pior, ainda está um pouco atrasada com muitas pontes em reconstrução e alguma estrada picada mesmo em buracos, o que deu a oportunidade às minhas filhas para libertarem o grito bem guardadinho e todo aquele ar nos pulmões! De resto a viagem foi uma maravilha, sempre quietinhas nas cadeirinhas, de vez em quando um vómitozinho de nada, mas nada que não esteja dentro do “menu” de viagens com bebés….. Esta viagem em relação às anteriores teve uma inovação fantástica : lembrança de dificuldades de outras viagens levamos connosco o bacio! E então a nossa Maria Celeste quando queria fazer as suas necessidades o Nando puxava o banco dele para a frente e ela ficava no chão do carro sentadinha! Algumas vezes assim continuando a viagem, doutras vezes tivemos que parar e ela então ficava na caixa aberta do carro sentadinha. Posso dizer que muitas vezes em viagem desejei ter o tamanho dela e poder fazer o mesmo.....
Mesmo na cidade do Huambo é uma surpresa feliz. Em relação ao tempo pareceu de repente um misto de Portugal e Angola, ou não fosse a cidade antigamente denominada de “Nova Lisboa”. Humido, muito chuva e durante o dia quente. A cidade repleta de matas dentro da cidade, grandes jardins, alguns já mesmo recuperados, estufas, passeios arranjados e muitos edifícios já a serem recuperados. Está num estado de recuperação muito superior ao de Benguela.
Mas mesmo com a recuperação vemos as violentas marcas passadas da guerra, buracões em paredes de edifícios, residências meio demolidas com vestígios de bombardeamentos e de fogo, mas o mais habitual é aquilo que também vemos em Benguela mas com mais frequente – as fachadas com buraquinhos de estilhaços de metralhadora…
O Nando estudou num instituto no Huambo e dormia num lar ao lado, mesmo antes de vir para Portugal, e para ele foi o abrir da caixinha das recordações, deu mesmo para reencontrar um ex colega e reconhece-lo ! O tal lar era no seguimento de vários edificios enormes Liceu,Instituto,etcetc , no final então um edificio enorme que era um lar de estudantes. Neste momento tem lá os simbolos das Forças Armadas Angolanas, mas está parece que meio abandonado. O Nando conseguiu tirar umas fotos e matar saudades. Mesmo em frente a esta correntesa de edificios enormes institucionais tem uma das matas que existem dentro da cidade, que o Nando se lembra de atravessar para ir ao Cinema no centro da cidade, e que era a unica altura que colocava uma camisola de gola alta na altura do Cacimbo devido ao frio e humidade ao atravessar aquele arvoredo com um riacho pelo meio. Tudo isso ainda lá está com poucas alterações.
Por coincidência fizemos a viagem com companhia! A Ana e outros amigos também já tinham organizado esta ida ao Huambo, e acabamos por passar tempo com eles e fomos companheiros de estrada, o que também é altamente reconfortante pensar que não andamos sozinhos por essas estradas fora. Um grupo muito paciente que foi parando ao nosso ritmo e enquanto nós resolviamos os nossos "31"s eles pacientemente fumavam e observavam o "circo". Também foram bons providentes de algumas delicias que dispensaram do seu farnel, como por exemplo batata frita caseira tipo pala-pala, mas imaginem só - de batata doce - bom isto as minhas filhas lambiam-se todas!
Outra coisa que se verifica é a agricultura, com uma terra vermelho intenso a contrastar com um verde luminoso apesar disso a agricultura raramente é industrial, mas quase sempre de subsistência, mesmo apesar das colheitas darem várias vezes ao ano, ao contrário de em Portugal que dão só 1 vez. Estivemos na terra do abacate e do abacaxi, compramos na estrada 8 abacaxis por 5euros e um saco grande cheio de abacate por 7euros….são agricultores por subsistência que depois não têm transporte para vender o produto noutras paragens, quem lucra é quem se desloca a comprar, e há muitos restaurantes das cidades a quem compensa depois irem fazer compras ao interior.
Fomos no Sábado e regressamos na 2ªf, e no Sábado partimos em expedição todos à procura do antigo bunker do Savimbi, o nosso líder de expedição tinha o mapa baralhado e tanto andamos que fomos ter à província do Bié, a cerca de 45kms do Kuito, e voltamos para trás. Mas valeu pela experiência. Nós como pensamos que a viagem era já ali ao lado ( e depois viemos a saber que afinal dos 75kms que andamos era só a 10kms de Huambo) não levamos diesel suficiente, paramos numa terriola e o responsável da bomba disse que era Domingo e como tal não ia abastecer ( imaginem só, nunca deve lá passar ninguém mas ainda se armou em esquisito) e tivemos de comprar o gasóleo na kandonga, o que aqui é muito habitual, então o Soba local levou-nos a um quintal de alguém, que nos vendeu uns quantos litros. Lá pagamos o combustível e mais uns trocos para o Soba.
Para quem não sabe o Soba é um chefe tribal da localidade. É um posto que ainda persiste nos tempo correntes garantindo uma hierarquia dos povoamentos, este Soba fica abaixo do Administrador municipal no entanto junto do povo é o Soba quem manda.
Houve outro elemento que foi connosco na viagem – um saco de caramelos. Estes caramelos foram disseminados a viagem toda pelos kandengues ( miúdos/crianças) que iam passando e espalhou muitos sorrisos!
A parte da reportagem fotográfica irei depois colocar no álbum do picasa.
Já estamos a sonhar com a próxima viagem – Terá de ser ao Lubango, a próxima vez será para o Sul!
Então 6ªf à tarde foi organizar tudo, Sábado ainda fui à obra de manhã e de seguida tudo no carro lá fomos nós!
Tínhamos tudo, biberões, mochila com bonecada, pc para ver dvds, musica infantil a granel, caramelos de chocolate, bolachas e biscoitos da Quina…até sandes e ovos cozidos…enfim, aqui em Angola não há postos de serviço à beira da estrada, nem supermercados de conveniência….
A partir de certa altura da viagem deu para ver duas coisas muito importantes: a mudança da paisagem que se tornou de um verde fabuloso, muito diferente da província seca e quente de Benguela, e as marcas da guerra. A província do Huambo foi a que mais sofreu com a guerra, era a terra do Savimbi e era lá o bunker de resistência dele, inclusive na viagem deu para ver um placard antigo da cruz vermelha a avisar os viajantes para terem cuidado com as minas…ui ui… Claro que as estradas já foram todas refeitas, e as minas felizmente já quase q desapareceram. Também deu para ver de vez em quando um tanque abandonado no caminho.
Na ida passamos numa terra chamada “Alto Catumbela” ( que nada tem a haver com a Catumbela junto ao Lobito), é uma terra deslumbrante em que do alto da entrada temos um grande vale, e no centro desse vale um maciço de granito com uma igreja branquinha moderna em cima plantada. Imaginem tudo verde e essa igreja lá no centro. É lindíssimo!
Esta terra Alto Catumbela teve em tempos a maior floresta de eucaliptos do mundo, da qual pouco resta mas que ao redor da paisagem dá para adivinhar pelo perfil ainda existente. Tinha uma grande fábrica de celulose de onde saía papel em rolo, com uma barragem só para alimentação de energia. É incrível ver as marcas do tempo, as casas operárias e toda uma cidade meio fantasma ali num vale deixada, as pessoas locais ocupam as casas e outras vê-se ainda abandonadas sem telhado como de fantasmas se tratasse.
Ao chegarmos à fábrica de repente o Nando lembrou-se! “Já aqui estive “ Apercebeu-se que tinha feito uma viagem de estudo com o grupo da JEC ( Juventude Estudante Católica) e até se lembrou que um amigo dele desmaiou com o cheiro intenso da fábrica, e que ele próprio quase foi pelo mesmo caminho. A fábrica está abandonada e num estado sem recuperação.
Só tivemos cerca de 20kms para lá de estrada em terra, mas já terraplanada. Enquanto se bem se lembram para ir aqui ao lado à chamada “Praia da macaca” demoramos 2horas para 5kms…
A estrada de regresso como foi a outra por cima essa está em recuperação clara mas pior, ainda está um pouco atrasada com muitas pontes em reconstrução e alguma estrada picada mesmo em buracos, o que deu a oportunidade às minhas filhas para libertarem o grito bem guardadinho e todo aquele ar nos pulmões! De resto a viagem foi uma maravilha, sempre quietinhas nas cadeirinhas, de vez em quando um vómitozinho de nada, mas nada que não esteja dentro do “menu” de viagens com bebés….. Esta viagem em relação às anteriores teve uma inovação fantástica : lembrança de dificuldades de outras viagens levamos connosco o bacio! E então a nossa Maria Celeste quando queria fazer as suas necessidades o Nando puxava o banco dele para a frente e ela ficava no chão do carro sentadinha! Algumas vezes assim continuando a viagem, doutras vezes tivemos que parar e ela então ficava na caixa aberta do carro sentadinha. Posso dizer que muitas vezes em viagem desejei ter o tamanho dela e poder fazer o mesmo.....
Mesmo na cidade do Huambo é uma surpresa feliz. Em relação ao tempo pareceu de repente um misto de Portugal e Angola, ou não fosse a cidade antigamente denominada de “Nova Lisboa”. Humido, muito chuva e durante o dia quente. A cidade repleta de matas dentro da cidade, grandes jardins, alguns já mesmo recuperados, estufas, passeios arranjados e muitos edifícios já a serem recuperados. Está num estado de recuperação muito superior ao de Benguela.
Mas mesmo com a recuperação vemos as violentas marcas passadas da guerra, buracões em paredes de edifícios, residências meio demolidas com vestígios de bombardeamentos e de fogo, mas o mais habitual é aquilo que também vemos em Benguela mas com mais frequente – as fachadas com buraquinhos de estilhaços de metralhadora…
O Nando estudou num instituto no Huambo e dormia num lar ao lado, mesmo antes de vir para Portugal, e para ele foi o abrir da caixinha das recordações, deu mesmo para reencontrar um ex colega e reconhece-lo ! O tal lar era no seguimento de vários edificios enormes Liceu,Instituto,etcetc , no final então um edificio enorme que era um lar de estudantes. Neste momento tem lá os simbolos das Forças Armadas Angolanas, mas está parece que meio abandonado. O Nando conseguiu tirar umas fotos e matar saudades. Mesmo em frente a esta correntesa de edificios enormes institucionais tem uma das matas que existem dentro da cidade, que o Nando se lembra de atravessar para ir ao Cinema no centro da cidade, e que era a unica altura que colocava uma camisola de gola alta na altura do Cacimbo devido ao frio e humidade ao atravessar aquele arvoredo com um riacho pelo meio. Tudo isso ainda lá está com poucas alterações.
Por coincidência fizemos a viagem com companhia! A Ana e outros amigos também já tinham organizado esta ida ao Huambo, e acabamos por passar tempo com eles e fomos companheiros de estrada, o que também é altamente reconfortante pensar que não andamos sozinhos por essas estradas fora. Um grupo muito paciente que foi parando ao nosso ritmo e enquanto nós resolviamos os nossos "31"s eles pacientemente fumavam e observavam o "circo". Também foram bons providentes de algumas delicias que dispensaram do seu farnel, como por exemplo batata frita caseira tipo pala-pala, mas imaginem só - de batata doce - bom isto as minhas filhas lambiam-se todas!
Outra coisa que se verifica é a agricultura, com uma terra vermelho intenso a contrastar com um verde luminoso apesar disso a agricultura raramente é industrial, mas quase sempre de subsistência, mesmo apesar das colheitas darem várias vezes ao ano, ao contrário de em Portugal que dão só 1 vez. Estivemos na terra do abacate e do abacaxi, compramos na estrada 8 abacaxis por 5euros e um saco grande cheio de abacate por 7euros….são agricultores por subsistência que depois não têm transporte para vender o produto noutras paragens, quem lucra é quem se desloca a comprar, e há muitos restaurantes das cidades a quem compensa depois irem fazer compras ao interior.
Fomos no Sábado e regressamos na 2ªf, e no Sábado partimos em expedição todos à procura do antigo bunker do Savimbi, o nosso líder de expedição tinha o mapa baralhado e tanto andamos que fomos ter à província do Bié, a cerca de 45kms do Kuito, e voltamos para trás. Mas valeu pela experiência. Nós como pensamos que a viagem era já ali ao lado ( e depois viemos a saber que afinal dos 75kms que andamos era só a 10kms de Huambo) não levamos diesel suficiente, paramos numa terriola e o responsável da bomba disse que era Domingo e como tal não ia abastecer ( imaginem só, nunca deve lá passar ninguém mas ainda se armou em esquisito) e tivemos de comprar o gasóleo na kandonga, o que aqui é muito habitual, então o Soba local levou-nos a um quintal de alguém, que nos vendeu uns quantos litros. Lá pagamos o combustível e mais uns trocos para o Soba.
Para quem não sabe o Soba é um chefe tribal da localidade. É um posto que ainda persiste nos tempo correntes garantindo uma hierarquia dos povoamentos, este Soba fica abaixo do Administrador municipal no entanto junto do povo é o Soba quem manda.
Houve outro elemento que foi connosco na viagem – um saco de caramelos. Estes caramelos foram disseminados a viagem toda pelos kandengues ( miúdos/crianças) que iam passando e espalhou muitos sorrisos!
A parte da reportagem fotográfica irei depois colocar no álbum do picasa.
Já estamos a sonhar com a próxima viagem – Terá de ser ao Lubango, a próxima vez será para o Sul!
1 comentário:
Adorei ler esta reportagem da v/viagem.
Eu também fui várias vezes ao Alto da Catumbela com o meu pai e lembro-me muito desse cheiro horrivel no meio dessa mata maravilhosa.
Cada vez gosto mais de vir ao teu cantinho......mato saudades dessa terra que ainda está no meu coração e pensamento.
Beijinhos a todos e sobretudo as pequenitas.
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